Sorria indecentemente. Já não era mais novidade. Era mesmo um desaforo esperado. Desejavam que assim fosse para sempre. A camisola pendurada na maçaneta da porta balançava com o vento frio que insistia em manter os corpos bem próximos. Em silêncio, agradeceram a dádiva que aquele frio se tornara. Era uma questão de sobrevivência, nesse caso, afetiva.
Acordaram e ficaram ali, na cama, já fazia uns cinco minutos ou duas horas. Ela levantou e desprezou a camisola. Pausa nessa cena. O piso gelado a fazia caminhar na ponta dos pés, como se estivesse de salto, e isso deixava o contorno das suas pernas ainda mais firme. Uma mulher de salto e praticamente sem roupas, correndo como uma menina sem compromissos e com medo. Quando abre a porta e a claridade do dia invade o quarto, é preciso lutar contra a luz para não perder a imagem da sua silhueta longilínea, bem desenhada ao longo dos seus 20 e tantos anos, marcada apenas pela calcinha que usava, tão firme como seus passos. Continuar lendo »


































